25 dezembro, 2009

Flocos de Neve

Caem-me flocos de neve dos olhos, e congelam nas pestanas, onde ficam pendurados, estáticos. São lágrimas de cristal que se recortam agora dos meus olhos e trespassam o meu coração.

Dizem que o coração não dói. Como se enganam! A dor sente-se todos os dias. Molda-nos a expressão, o rosto. Molda-nos a vida, a vontade de ser e conseguir. Destrói a aparência, a seriedade e a ilusão, desfazendo-as em partículas que se unem numa nuvem de frio eterno, que ocupa todo o ser do nosso ser.

Já não sorrio para fingir que tudo está bem. Já não canto na rua, quando ninguém me pode ouvir. Já não danço à chuva nem espero ansiosamente pelo Natal. Já não sonho com o futuro. O meu futuro é este. Este que sempre foi. Com flocos de neve nos olhos, e frio no coração.

1 comentário:

Ricardo Marques disse...

Escreves bem, sem dúvida.
Aquela escrita sentimentalista, gosto do estilo. Simples, sucinta e profnda. :D

Passa no Canto do Marquês, penso que irás gostar de ler a nova crónica ;)

Continuação de boa época festiva !
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