05 janeiro, 2010

é o que dá viver no Porto

- Estou a ler o Caim
- o quainhe?!
- o Caim!
- pois, foi o que eu disse. mas tás a ler o quaim afinal?

02 janeiro, 2010

Ano Novo, montra nova

Toda a gente sabe que as lojas são coisas demoníacas, concebidas especialmente para nos atrair e nos levar a gastar o nosso dinheirinho em coisas pouco úteis que nunca nos lembrámos de que precisávamos.

Assim, quando entramos num supermercado, os corredores de bens essenciais, como o pão, o leite, a fruta e restante comida, estão ao fundo, obrigando-nos a passar por milhares de estantes cobertas de desejo e pecado. "Leva-me, leva-me", chamam, com as suas cores atraentes e embalagens engraçadas, ou simplesmente através de um autocolante de desconto na parte da frente.

Pior. Põe os brinquedos ao nível do chão, ao alcance de uma criança, que mal lhe põe a mão, não larga mais, e desata num pranto e choradeira que abala o hipermercado todo. Quem não assistiu já a uma cena destas que se acuse.

Mas a táctica de atracção de que vou falar hoje é a do corredor central. Aquele primeiro corredor por onde passamos sempre que entramos no Continente ou no Modelo, e que é, afinal de contas, a montra do supermercado. É que aquele espaço se molda a cada ocasião, cobrindo-se de artigos que nos chamam à atenção porque os achamos, de repente, tão necessários. São os chocolates e peluches no São Valentim, os fatos e as máscaras no Carnaval, as tendas e sacos-cama no Verão, os lápis e cadernos em Setembro, quando começa a escola. A minha questão é: alguém sabe de que se enche a montra no Ano Novo?

Vejo-vos já de olhar perdido, a tentar lembrar-se. Parece ridículo mas é verdade: a maior parte de nós não pensa nisso, nem há assim nada que, de repente, nos pareça essencial nesta época do ano. Não sabem. Desistem. O que há no corredor central para a passagem de ano? Sombras, batons e rimel, tinta para o cabelo, lacas e espumas.

29 dezembro, 2009

Quando faltam os argumentos

Dizia um amigo meu que estão a faltar neste blogue posts a falar mal de coisas. Serve o presente para lhe fazer a vontade, portanto. E se é para falar mal de coisas, porque não falar mal de pessoas que falam mal das coisas?!

Com efeito, todos os dias ouvimos alguém queixar-se de algo. Ou o autocarro que se atrasou, ou a vizinha de baixo que faz muito barulho e não deixa o menino dormir, ou o mau gosto da colega, que levou uma camisa rosa choque para o trabalho.

Não me interpretem mal. Como pessoa (e, sobretudo, mulher) que sou, também eu gosto desse maravilhoso passatempo que é implicar com as coisas. O problema não é, portanto, a má lingua, mas tão somente o facto de que as pessoas já não sabem falar mal.

Por um lado, são demasiado caprichosas. Já não criticam só o que está mal, mas também o que não está bem, o que está bem mas devia estar melhor, e o que está óptimo mas foi outro a fazer. E põe tudo no mesmo saco, agitam bem e tiram sempre os mesmos motivos; uma mão cheia deles, todos semelhantes e que não compremetam muito a coisa - "não gostei", "está mal", "foi fraco".

Há ainda o caso extremo, em que acto e pessoa se fundem e, enrolando-se na má língua dão origem à língua afiada. Aí, os motivos já são em maior quantidade e mais originais, que uma pessoa, para insultar outra, tem sempre o que dizer. Se a Fifi da mercearia deixou cair o troco para trás do balcão, torna-se logo uma ladra, que sempre escondeu dinheiro numa das botas, quando o patrão não estava a olhar... Que só abusa da bondade do pobre senhor, já tão velhinho... E afinal verifica-se que toda a gente sempre se soube que ela era má rés, só não se lembraram foi de dizer...

Enfim, já não se sabe dizer mal em Portugal, é o que é. E os que dizem não passam de uma cambada de anormais e deficientes, sem mais nada para fazer - faltava dizer isto, que me estão a acabar os argumentos.

28 dezembro, 2009

Em frente ao espelho

- É hoje.
- Já? Ainda ontem andavas por aí a correr para afugentar as pombas!
(ligeiramente frustrada) - Sim, ontem fiz isso.
- Oh!
- Já sou uma senhora.
(ri-se) - Senhora? Não é a idade que te transforma em senhora. Há por aí tanta mulher que mais parece menina, e tanta menina que já é senhora!
- Então sempre o fui...
- Sim, sempre foste.
- Então vou aproveitar e ser menina desta vez.
E o espelho calou-se.

25 dezembro, 2009

Flocos de Neve

Caem-me flocos de neve dos olhos, e congelam nas pestanas, onde ficam pendurados, estáticos. São lágrimas de cristal que se recortam agora dos meus olhos e trespassam o meu coração.

Dizem que o coração não dói. Como se enganam! A dor sente-se todos os dias. Molda-nos a expressão, o rosto. Molda-nos a vida, a vontade de ser e conseguir. Destrói a aparência, a seriedade e a ilusão, desfazendo-as em partículas que se unem numa nuvem de frio eterno, que ocupa todo o ser do nosso ser.

Já não sorrio para fingir que tudo está bem. Já não canto na rua, quando ninguém me pode ouvir. Já não danço à chuva nem espero ansiosamente pelo Natal. Já não sonho com o futuro. O meu futuro é este. Este que sempre foi. Com flocos de neve nos olhos, e frio no coração.

15 dezembro, 2009

Continuo a achar...

... que quando se ama mesmo, mesmo, de verdade, é para sempre.
Que aquela pessoa se torna sangue do teu sangue;
parte da tua pele;
que fica presa no teu cheiro,
e se solta lentamente dos teus cabelos quando recebem o sopro do vento.

E é nessa altura,
quando o brilho dos teus olhos deixa de reflectir aqueles que te falam para mostrar em quem pensas,
nessa altura sabes que essa pessoa faz parte de ti, que é a tua família,
e assim há-de ser eternamente, até que a morte separe corpo e espírito.

08 dezembro, 2009

Turno da Noite

É uma série de 8 episódios de animação, onde se brinca com a vida e a morte, o certo e o errado, e a percepção da realidade das coisas. Chama-se "Turno da Noite", e foi feita para passar na RTP. Teve o azar de ficar com o turno da noite do canal, e só foi vista por aqueles que por acaso ligaram a televisão às 5h da manhã.

Porque a série é genial, tanto no argumento como nos desenhos, nas vozes e até na música, aqui fica divulgada. Enjoy.